7 de fev de 2012

[Review] 4x11 - "Making Angels"



Deus ex machina. A mão de Deus.

É com o termo grego citado por Astrid neste episódio que abro a review deste 4x11 "Making Angels" para enfatizar que esta pode ser a maior dica já dada pelos roteiristas de Fringe nas últimas temporadas que por coerência lê-se "A Mão de Deus", mas que na tradução literal fica "Deus na máquina". Isso os faz recordar de algo?

Esta mesma expressão, surgida na Idade Média quando os gregos tinham como maior forma de entretenimento o teatro, era usada para amarrar todas as pontas soltas de uma história, onde a mão de Deus era a responsável por fatos inexplicáveis dentro da trama estabelecida. Pode parecer absurdo trazer o tema à mesa em uma série onde o sci-fi predomina na maior parte do tempo, mas de fato podemos estar diante da única explicação plausível para os maiores mistérios de Fringe.

Seria plausível dizer que Deus seja responsável pelas peças do destino? Que tenha sido ele quem apagou Peter da linha temporal? Que Deus enviou um servo para matar pessoas moribundas com o intuito de evitar o sofrimento prolongado da morte? Que Deus tenha enviado anjos a Terra para "observar" acontecimentos importantes e para balancear o desequilíbrio que a ciência causou ao ultrapassar limites como o tempo e espaço?

Em um episódio nomeado de "Making Angels" que, na minha visão, poderia ser facilmente intitulado como "Making Observers", vemos Astrid tomar seu foco em dose dupla. Jasika Nicole esteve fantástica na interpretação da Astrid frígida e da Astro-Asterix-Aspirin. Neste ponto, o roteiro acerta ao desenvolver não somente uma personagem que "conhecemos" há anos, como nos justapõe a outra conhecida tão recentemente e que nos emociona de formas similares. Sem poupar, é claro, doses de humor em momentos como "Eu estava me perguntando porque ninguém nunca faz isso" e "café? Ninguém nunca me ofereceu café?!"


E se por um lado Astro, digo, Astrid toma a liderança (#TakeTheLead) de um episódio presenteado e rotulado como seu, o Fringe Event da semana fomenta um observador em potencial, Neil Chung, capaz de ver o futuro e suas variáveis. Interessante é notar as diversas semelhanças entre o freak da semana e os observers, como as falas premeditadas e os futuros escritos a fio. Neste caso, a única divergência é que o primeiro interferiu no destino dos humanos, além da visível falta de depilação.

Diferentemente do anterior, onde Emily era capaz de ver ecos temporais, neste 4x11 o pseudo observador podia vivenciar o tempo de maneira diferente. Fazendo o comparativo entre os dois episódios, podemos também supor que todo observador um dia fora humano (no 4x10 a nós é dito que eles possuem o mesmo material genético que um humano comum), antes de ser convertido à sua função de vigiar todas as linhas temporais.

O que chama atenção é que o pseudo observador me pareceu uma espécie de candidato a substituto de September. O que nos leva a pensar que o mesmo possa ter realmente morrido no episódio "Back To Where You've Never Been". Curioso também o fato do pseudo observador ter levado um tiro no peito, o mesmo que o nosso amigo careca, além de que, ele está usando o objeto que September supostamente perdeu em 1985, o que deixa subentendido de que ele apanhou o aparelho do fundo do lago Reiden após a tentativa do observador de salvar Peter.

Porém, o ponto mais intrigante do episódio se mantém na fala do observador ao término de "Making Angels", onde ele profere que "Peter voltou". Seria essa a prova final de que a realidade amarela seria definitiva? Que Peter não tem para onde voltar? Seria ousado ou covarde da parte dos roteiristas deixar de lado a realidade das 3 temporadas anteriores para seguir absolutamente do zero, sem ponto de retorno?

Easter Eggs

O paraíso está mais perto do que você imagina. A frase a seguir ainda pode reforçar a tese de quem acredita que estamos diante de uma linha temporal irreversível para Fringe, de que Peter terá que ficar no amarelo e reconstruir seus laços com Olivia e Walter. O paraíso é aqui? Vale destacar também o 95 que acompanha a imagem em referência às chances do paciente em cena, cujo médico diz ter 95% de chance de sobrevivência:
O episódio desta semana volta a nos poupar do trabalho de observar cada centímetro em tela no intuito de encontrar o observador. Eis a imagem:

A quantidade exacerbada de azul visto neste episódio atinge níveis absurdos. Além do usual saco preto ter se convertido em azul, é possível ver em diversas outras ambientações e roupas o tom se repetir.
E por falar em cores, é válido destacar a cena a seguir: perceba o modo como a câmera dá foco (note que todo o resto está fora de foco) à Peter e às cores em evidência no aeroporto, onde a cor selecionada é o azul, simbolizando a linha temporal a que Peter verdadeiramente pertence. 


Na cena seguinte é possível ver o mesmo ônibus visto no episódio passado. Logo começo a imaginar se não já está na hora de procurarmos motoristas e cobradores no lugar de observadores.
A procura por um significado, descobri que a frase vista no vaso da casa de Neil traduzia-se como "felicidade dupla", o que a meu ver faz alusão ao resultado final da dupla de Astrids, compartilhando o sentimento de felicidade apesar da mentira reconfortante. Confira:

Episódio que envolve voos não podem passar em nuvens brancas se tratando de referências a Lost. O que destaca-se no "Boarding Pass" do passageiro é a sigla OA (Oceanic Airlines). Sendo assim, outra mesma produção da autoria de JJ também ganha referência com o típico 47, "Alias":


Quase impossível ignorar mais uma brincadeira com as cores do universo A e B, onde vemos no dispositivo de Neil a troca da luz azul pela vermelha que antecede a morte.

O Glyphs Code da semana soletra a palavra "EMPATH", no português "EMPATA", ou seja: uma pessoa que tem a habilidade de reconhecer, compartilhar e até controlar sentimentos como tristeza e felicidade, uma referência clara às Astrids deste episódio, onde em um diálogo nossa Astro mente para contornar os sentimentos de sua sósia em relação a seu pai.

A título de curiosidade, vemos a sequência de cabos e cores da bomba vista no episódio passado se repetir no laboratório com: amarelo, azul e vermelho. Na sequência, é possível ver também a simbólica máquina de escrever que se tornou ícone de Fringe.

Até semana que vem, galera!

Canal de Séries, Por Gabriel Dias.

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