13 de mai de 2012

[Review] 4x22 - "Brave New World: Part 2" (Season Finale)



O momento que todos estavam esperando.


Satisfatório é a palavra que define a Season Finale de "Fringe". Um episódio de revelações, reviravoltas, momentos de tirar o fôlego, desdobramentos surpreendentes, mas ainda assim apenas satisfatório. O problema é que esta não é uma palavra que se encontra no vocabulário de Fringe. Esperamos demais, imaginamos as impossibilidades, teorizamos e quando nada de espetacular, apenas bom, surge ficamos decepcionados.

Digo como telespectador e ainda mais como fã, que acreditei cegamente que os roteiristas e seus complexos de Deus fariam dessa a finale perfeita. Que trariam algo que explodisse nossos cérebros, nos causasse o frenesi do ano passado e que nos proporcionasse horas e horas de discussões e teorias sobre em qual universo estamos, onde está Peter, Olivia irá morrer e outras firulas. Ledo engano.

Creio eu que a incerteza dos roteiristas em relação ao futuro da série os obrigou a fazer um episódio que ao mesmo tempo funcionasse como desfecho definitivo para a série e que tivesse pequenos ganchos, nada de absurdamente grande como o desaparecimento de Peter, caso a mesma fosse renovada.

O resultado foi um excelente episódio, mas que para os padrões da série e das suas últimas season finales beira o razoável. "Brave New World, Part 2" sofre, portanto, do mesmo problema que a sua primeira parte, dando desfechos anti-climáticos a acontecimentos que supostamente deveriam ser gigantescos.

Como disse no post anterior, a Parte 1 pecou pela execução da morte de Robert David Jones, já a Parte 2 trouxe uma resolução ainda mais rápida para um plano que vem sendo contado a diversos episódios: a destruição mútua dos universos A e B para a criação de um novo mundo. Aliás, o projeto de Bell ganha proporções visuais já nos primeiros minutos de episódio, em que vemos uma projeção do que, segundo ele, seria o seu Jardim do Eden (palavra que aparece na primeira parte da finale).

Vale ressaltar que Bell revela que este era um plano arquitetado não somente por ele, como principalmente por Walter. É revelado então o verdadeiro motivo pelo qual Walter insistiu para que Bell removesse partes do seu córtex cerebral, conforme vemos nos flashbacks de "Grey Matters". Walter não apenas planejava tornar-se a figura e representação de Deus como tinha medo do homem que estava se tornando. Dito isso, é perfeitamente coerente que William tenha continuado seu trabalho anos depois, já que seu cérebro não havia sido alterado e portanto seu complexo de Deus permaneceu intacto. Para parafraseá-lo, se somos capazes de sermos Deuses, então é o nosso destino sermos.

E a peça-chave para que Bell pudesse concretizar sua última jogada era Olivia. Uma fonte de energia que se comparada ao amphilicite, ganharia em rendimento de 100 à 1. Nina deixa isso bem claro quando diz a mesma a seguinte frase: "you have the power all along" em retirada ao livro "O Maravilhoso Mágico de Oz" de L. Frank Baum .

Agora, tudo o que vimos ao longo das 4 temporadas relacionado ao poderes de Olivia faz completo sentido: as doses de cortexiphan que eram injetadas secretamente pela falsa Nina, Jones forçando Olivia a usar seus poderes, e principalmente o motivo pelo qual Bell dizia que Olivia era de suma importância para os seus planos.

Logo, a única maneira de se dissipar o processo de destruição dos dois universos seria cortando o cabo de força, desligando a fonte energia, ou melhor, matando Olivia. A profecia então dita por September no episódio "Back To Where You've Never Been" referia-se ao momento em que Walter puxa uma arma em direção à Olivia e com destresa faz o mesmo que sua versão alternativa fez no futuro de 2026, dando-lhe um tiro certeiro e fatal na cabeça.

Olivia está morta, Peter desconsolado e Walter sereno, tendo em mente que tudo aquilo era parte de um plano para salvar Olivia e os universos do destino a qual foram ditados.

E apesar de previsível a resolução de tudo aquilo, os segundos que sucedem a morte de Olivia acabam por ser o auge do episódio. A imprecisão de Walter, as mãos trêmulas, o desespero de Peter e principalmente as atuações de Joshua Jackson e John Noble fizeram da sequência um espetáculo pirotécnico de tensão e ansiedade.

A saída do roteiro para impedir que Olivia fosse embora junto com os planos de Bell já estava explícita na primeira parte da finale, quando Walter corta o bolo de limão e este regenera-se expontâneamente.

Parte da previsibilidade à respeito da cura de Olivia também vinha do fato de que Henrietta ainda precisava nascer. E é por isso que insisto em dizer que este episódio funcionaria muito melhor se não tivessemos conhecimento algum de "Letters of Transit", episódio que faz Brave New World Part 1 e 2 parecerem meros flashbacks dos acontecimentos que verdadeiramente importam.

Fico apreensivo só de pensar que este poderia ser o verdadeiro final da série. O que seria lastimável, considerando que Fringe é sem sombra de dúvida a melhor série atualmente no ar.

O senso de despedida esteve presente apenas no momento em que Astrid vê Walter no hospital e surge com uma solução para sua fome: um pacote de alcaçuz (que covenhamos é bem melhor do que potes de urina). O agradecimento de Walter, os olhares de afeto entre os dois e, principalmente, o momento em que ele a chama de Astrid e não Astro, Asterix ou Alex, foi a maneira mais adequada de nos despedir, não definitivamente, destes personagens.

A 4ª temporada então se encerra na promessa de um 5º e último ano, no qual veremos a chegada dos observadores ao presente, realizando-se assim a profecia do dia do Grande Expurgo. Essa é a minha interpretação da frase genérica dita por September nos 10 segundos finais de episódio. Como o Expurgo ocorreu em 2015, eu não duvidaria de que teremos um salto temporal de 3 anos já na estréia da 5ª temporada. Até que isto, teremos que manter os níveis de LSD no sangue altíssimos, beber muito leite da Gene e manter-nos vivos para não perder nenhum segundo dessa jornada. O fim de Fringe.

Easter Eggs:

O Glyphs Code da semana soletra a palavra "PURGE" que no português, traduz-se como "expurgo". A palavra refere-se ao Grande Expurgo de 2015 descrito no episódio "Letters of Transit" por Simon, também conhecido como o dia em que os observadores tomaram o controle da raça humana. O Expurgo foi marcado pelo genocídio de grande parte da humanidade, em que pessoas foram tiradas de suas próprias casas para serem abatidas.


O observador teve papel crucial na trama do episódio e por isso não apareceu em segundo plano, poupando-nos o trabalho de procurá-lo.


Ao contrário do que muitos pensam, as criaturas que surgem no início do episódio quando Bell mostra a Walter o novo mundo, não são dinossauros. São duas das criações de Bell que aparecem respectivamente nos episódios 1x16 "Unleashed" (o híbrido de morcego, réptil, etc) e 4x16 "Nothing As It Seems" (o porco-espinho voador).


Um episódio como este não poderia deixar de fazer referências à "Lost". Desta vez é o 316 que dá as caras, mesmo número do voo Ajira que levou os Oceanic 6 de volta para ilha na 5ª temporada. Ademais, a tomada do helícopetro sobrevoando o cargueiro lembra em muito o episódio da 4ª temporada em que o Jim "morre" na explosão.


A projeção catográfica que vemos na parede do escritório de Bell nesta 2ª parte da Season Finale, é a mesma projeção que vemos no laboratório de Walter na 1ª parte. Esta é uma representação do mapa mundi que recebe o nome de Orbis Tabula e que consiste em dividir o mundo em duas superfícies planas.


A tecnologia usada por Nina para reanimar o corpo de Jessica foi a mesma citada no piloto da série e que reanimaria John Scott na Massive Dynamic. A propósito, não poderia deixar de ressaltar o quanto aquela cena foi bizarra. De uma boa maneira, é claro.


Como disse anteriormente, "Brave New World" soa como um flashback de "Letters of Transit". O que só comprova tal dito é a bala que Walter retira da cabeça de Olivia, supostamente a mesma que vemos Etta carregar no pescoço no 4x19. Veja:


Até setembro!

Canal de Séries, Por Gabriel Dias

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