23 de abr de 2012

[Review] 4x19 - "Letters of Transit"



O futuro de Fringe pode ser incerto. Porém, espetacular.

Os episódios de nº 19 de Fringe são conhecidos por "explodir cabeças". Na primeira temporada, veio "The Road Not Taken", onde Olivia se projeta pela primeira vez no lado B. No segundo ano, "The Man From The Other Side", revelando à Peter que ele não pertence a este universo. E na terceira temporada, o fantástico "Lysergic Acid Diethylamide", trazendo o homem-X e doses elevadas e bem-vindas de LSD.

Eis então o fantástico (e provavelmente o último 19) "Letters of Transit":

Antes de recorrer a qualquer teoria ou discussão, é pertinente dizer que "Letters of Transit" é um dos episódios mais espetaculares de Fringe. Sempre tive como parâmetro 3 episódios da série, os quais considero absolutamente geniais e são particularmente os meus favoritos, quando o assunto é ditar o melhor de Fringe. São eles: "White Tulip", "Peter" e "The Day We Died". Depois deste 4x19 posso dizer com certeza que agora tenho 4 episódios parâmetro.

Nele, somos levados ao ano de 2036, o planeta está completamente sob o domínio totalitário dos observadores, que em 2609 D.C. envenenaram nosso mundo, nosso ar, nossa água e decidiram retornar para impor ao mundo um regime absolutista. Os poucos sobreviventes são chamados de nativos e a Fringe Division continua ativa com um único objetivo: policia-los... ao menos é o que acreditam os observadores.

Somos portanto introduzidos à Etta, personagem responsável por uma das cenas mais bonitas já apresentada pela série: o reencontro com Peter, e que veio como uma grata surpresa, especialmente em termos de atuação. Afinal Georgina Haig, a atriz promissora que interpreta a personagem, soube bem como dosar os trejeitos de Olivia e inseri-los na personalidade auto-confiante de Etta.

Ademais vimos que Etta, assim como Olivia, é especial. Fruto de possíveis testes que tenha sofrido por dosagem de cortexiphan, ou talvez, apenas por ter herdado o gene capacitador de sua mãe que a permite esconder seus pensamentos e intenções dos observadores. Parafraseando o Capitão Windmark, she's always what she seems to be, no bom português, sempre é o que parece, em oposição ao título do episódio 4x16 desta temporada, "nada é o que parece".

A propósito, o completo desaparecimento de Olivia durante o episódio pode ser facilmente explicável já que, como bem previu September, Olivia morrerá. Segundo as circunstâncias, este evento deverá ocorrer antes de 2015, ou seja, antes de Walter prender todos no âmber, considerando que a única mulher e homem jovens, citados no início do episódio, que lá se encontravam eram Astro e Peter.

Como bem disse Walter no episódio anterior, citando Sherlock Holmes, a falta de evidência é a evidência por si só. E é por isso que acredito que neste futuro de 2036, a falta de qualquer referência ou alusão ao universo paralelo mostra que estamos diante de apenas um universo, seja ele o universo A convergido no universo B, ou apenas o universo A, sendo que o B tenha sido destruído conforme vimos em "The Day We Died".

Curioso também que Walter tenha citado a sensação de Déjà Vu no momento em que entra no estacionamento da Massive Dynamic, sendo que no episódio "The Road Not Taken" (1x19) ele tenta explicar as visões de Olivia do outro universo com este mesmo conceito, afirmando que o que ela presenciava era um extensivo Deja Vú. Posteriormente, Walter explica que o tempo nem sempre é linear e algumas vezes "glyphs" de um futuro, ou realidade alternativa, podem ecoar para o passado.

Outra referência aqui feita é ao episódio "Lysergic Acid Diethylamide" (3x19). A alusão também reside em uma citação feita por Walter. Desta vez, ele cita o LSD, afirmando amar a substância que nos fez naquele mesmo episódio poder ver Fringe em versão cartoon.

Há algo de muito especial no roteiro de Fringe que nos permite se identificar com qualquer um dos personagens em questão. No caso, este 4x19 nos introduz à Simon Foster (interpretado por Henry Ian Cusick, o brotha de "Lost"), um dos agentes da resistência que a nós relata o Dia do Expurgo ressaltando os motivos pelos quais o mesmo continua na luta contra os Observadores. Afinal, assim como Olivia, Simon (glyphs do episódio anterior) perdeu alguém, portanto, nada mais válido do que, para parafraseá-lo, nunca desistir de lutar.

Antes de encerrar esta review eu gostaria de dizer que me encontro inconformado com a audiência de Fringe. É fato que desde o dia do expurgo - o dia em que Fringe foi condenada à sexta-feira - restaram poucos nativos. Nativos estes que fazem parte de um grupo seleto de pessoas que continuam a acompanhar esta série com toda a atenção e carinho que merece. E por tantos outros motivos digo que Fringe precisa de uma quinta temporada. De mais episódios como "Letters of Transit". De mais LSD. De mais Olivias, Walters, Peters e Genes. De tempo. Tempo para desenvolver um final que não deixe pontas soltas ou espaço para reclamações. Portanto #SaveFringe em 2012, 2015 e 2036, ou até que os observadores envenenem o mundo e a tome de nós. Até lá #FightTheFuture.

Easter Eggs

Particularmente, essa é no momento a minha abertura favorita da série depois da abertura dos anos 80. Ela ressalta com maestria a realidade vivida pelos nativos em relação ao regime totalitário imposto pelos observadores, iniciando com enfoque em impulsos nervosos que logo revelam uma cadeia de neurônios. Posteriormente, uma cabeça dentre outras milhares de pessoas envoltas por paredes com arames, revelando assim a prisão que se tornou a vida dos nativos. Veja:




A abertura revela 10 palavras que cabem perfeitamente no âmbito em que a sociedade se encontra na realidade de 2036, seja por sua presença, ou pela falta. São elas:

community - comunidade
joy - felicidade
indivuality - individualidade
education - educação
imagination - imaginação
private thought - pensamento privado
due process - processo legal
ownership - propriedade
free will - livre arbítrio
freedom - liberdade

O Glyphs Code deste episódio soletra a palavra QUAKE, no bom português, terremoto. Este Glyphs faz clara referência ao episódio da próxima semana, onde veremos diversos terremotos causados por pacientes testados com cortexiphan (confira o promo).


Aliás, é possível encontrar outra dica para o que virá a acontecer no episódio 4x20 logo na primeira cena deste 4x19, onde vemos que o nome do clube onde os observadores estão "pegando as mina do futuro" se chama Epicenter, que traduz-se epicentro. No caso, mais uma referência aos terremotos que veremos no 4x20.


Outra dica para o que preseciaremos na próxima semana é ainda mais sutil. Durante a cena em que Walter brinca enquanto a câmera dá um close aberto no local, é possível ver uma ponte destruída. Talvez a causa tenha sido os terremotos que veremos na próxima sexta?


Mais uma possível referência ao episódio da próxima semana é talvez o número 420 em destaque na cena em que vemos Walter, Etta e Simon na estação à caminho da cidade, número que corresponde a 4x20. Veja:


A procura pelo observador é dispensada em episódios como este, mas como é de costume, eis a imagem a seguir. Aliás, o desafio agora é encontrar nativos e não observadores:


A propósito, parece que os roteiristas de Fringe já tem planos para o futuro e sabem até qual será a data da estréia da 5ª temporada (ou não). Ao menos, é o que muitos especulam após verem que a senha usada por Simon para entrar na Massve Dynamic pode ser facilmente convertida em uma data (21/09/12), coincidentemente ou não, correspondente ao mês de setembro, mês em que todas as outras temporadas da série estrearam.


A equipe de direção de arte de Fringe continua implantando detalhes e principalmente a justaposição das cores azul e vermelho em algumas cenas. Como vemos na cena a seguir, observe:


Com tantas frases escritas no idioma dos observadores, este episódio permitiu que fãs alucinados identificassem o alfabeto deste idioma e até traduzir algumas das palavras aqui vistas. Por exemplo, é possível identificar palavras como "atenção" (HEED) e "obedecer" (OBEY) tatuadas nos rostos dos guardas abaixo:


É possível notar quando Etta olha pela janela do trem, segundos antes de falar com Peter, a Torre da Liberdade feita em homenagem as vítimas do atentado de 11 de Setembro. Vejam:


O título do episódio é uma referência clara ao filme "Casablanca". Além disso, em ambos, os donos dos clubes onde os nazistas/observadores saiam se chamam Rick.

PS.: Falta apenas um episódio até a Season Finale dupla. Ansiosos?


Canal de Séries, Por Gabriel Dias

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