6 de mai de 2012

[Review] 4x21 - "Brave New World: Part 1"



Prontos para mais uma partida de xadrez?
É com a estratégia de um jogador de xadrez que os roteiristas de "Fringe" fizeram de "Brave New World Part 1" um episódio preparativo. Episódios deste cunho tem como principal objetivo colocar cada peça da trama na posição ideal para que então o tabuleiro fique pronto para o grande xeque mate.

Além disto, peças que nunca acreditamos que um dia poderiam retornar ao jogo são tragas de volta e quando menos se espera saem de traz de seus peões para se revelarem como aquelas que serão cruciais para o fim da partida. Com isso, Leonard Nimoy está de volta à Fringe para uma Season Finale que promete ser incrível, genial, explosiva, mind-blowing, emocionante e paradoxal.
"Brave New World" recebe o mesmo nome da obra de Aldous Huxley publicada em 1932, intitulada no português como "Admirável Mundo Novo". O livro narrava um cenário futurístico hipotético onde pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. Não é mera coincidência que o panorama de totalitarismo visto neste livro se assemelhe tanto ao futuro de 2036 e até mesmo aos planos de William Bell que decorrem durante todo o episódio.

O primeiro passo de Bell foi um ataque biológico ao Claine Center onde conhecemos Jessica, (interpretada pela carismática Rebbeca Mader de "Lost") vítima da toxina que poderia fazê-la entrar em combustão espontânea apenas pelo movimento do próprio corpo. O fato de Olivia ter sido especialmente caridosa com Jessica somado a frase: "se você precisar algum dia ficar à frente na fila de Emergência, pode contar comigo" dita pela personagem pouco antes de se despedir, me faz acreditar que Jessica ajudará Olivia quando a mesma levar o tiro que poderá ocasionar a sua morte.

Dito isso, é válido ressaltar que este episódio, acima de qualquer espetáculo televiso, surpreende pela cautela do roteiro que implanta pequenos detalhes para revelar algumas informações cruciais sobre a continuação desta finale na semana que vem.
Uma deles pode ser a cena em que Olivia corta o dedo preparando um jantar para Peter. Como tudo em Fringe tem um propósito maior, acredito que o intuito da cena não era apenas mostar um momento íntimo do casal. A reação de Peter ao ver Olivia tendo o dedo cortado pode ser a chave da questão. Todos sabem que quando nós sofremos um corte experimentamos uma rápida reação de choque, a mesma reação que Peter tem quando ocorre o pequeno incidente. Algo como "oh, isso doeu bastante". Suponho que naquele momento Olivia tivesse compartilhado seu choque com Peter através da empatia. Acredito que este tipo de ligação poderá ser crucial no momento em que Olivia morrer, pois caso esteja conectada molercularmente a Peter possivelmente poderá regenerar-se.

Outra possível forma de "ressureição" para Olivia poderá ser a regeneração acelerada do cortexiphan. O mesmo processo que ocorreu no pequeno experimento de Walter com o bolo de limão e cérebro de porco poderá ocorrer com Olivia, especialmente agora que ativou suas habilidades.

Uma delas foi de suma importância no momento em que Peter desativa uma das antenas e Jones chega para sacrificá-lo. Olivia, então, derruba as armas dos policiais e cria uma dinâmica de luta em que Peter é utilizado como marionete para as habilidades marciais de Olivia, o verdadeiro macho da relação. Apesar da dinâmica de cena ser particularmente divertida de se ver, achei que ela teve um desfecho completamente anti-climático: a morte de Robert David Jones.

Na premissa, essa morte seria o momento de maior clímax para a primeira parte do final da temporada, porém os acontecimentos que a levarão ocorrer foram tão falhos quanto rápidos. Simplesmente, o vilão que acompanhamos durante toda uma temporada morre com alguns murros e pontapés somados a uma descarga elétrica que ocorre em uma tomada tão rápida que até os mais atentos poderiam se questionar o que acabara de acontecer.

A cena que vem depois, porém, é de fato excelente: em segundos o corpo de Jones encontra-se pela metade, esfarelando-se até alcançar o pó. Óbviamente a cena não possui realismo algum, mas dou aos roteiristas de Fringe a licença poética por matarem Jones do mesmo modo que fizeram na Season Finale da 1ª temporada: partindo-o ao meio. A única diferença é que em "There's More Than One of Everything" a causa da morte foi o fechamento de um portal entre dois universos, enquanto neste episódio a causa foi um peido, digo, descarga elétrica. Comparou?

No final das contas, Jones era apenas o Bishop, como é chamado o "Bispo" de uma partida de xadrez em inglês, a ser sacrificado. Outra baixa entre os personagens poderá ser Alex. Personagem que neste episódio nos presenteou com belos momentos em que demonstra com sutileza e naturalidade todo o vínculo de amizade que possui com Walter, assim como a necessidade constantes que sente em protegê-lo, desde o momento em que se encontra no laboratório até quando está diante de tiros e capangas.

A química entre Jasika Nicole e John Noble é excepcional. Além do mais, confio nos roteiristas e sei que eles não terão a audácia de matar nossa assistente de laboratório favorita. Depois da Gene, é claro.

Easter eggs

Na área externa do prédio em que Robert David Jones mantem suas novas espécias é possível ver a palavra "Eden", uma alusão clara ao Jardim do Eden, preceito bíblico para o local onde viviam as primeiras espécies animais e vegetais criadas por Deus, incluindo os primeiros seres humanos: Adão e Eva (the first people). Eden cabe perfeitamente a proposta de Jones e Bell com seus complexos de Deus e querendo criar um novo mundo, repovoando-o com novas espécies, neste caso, suas criações.
E agora vos apresento um dos easter-eggs mais curiosos deste episódio: A presença do X, o mesmo que vimos na camisa do Homem-X no episódio 3x19 "Lysergic Acid Diethylamide", aparecendo nos dispositivos usados por William Bell para causar combustão espontânea nas vítimas. Curioro também o fato de que Walter, assim que vê a imagem em tela, diz que este é um trabalho feito exclusivamente por Belly, o que pode levar muita gente a supor que seja o Homem-X. Porém, sabemos que Belly não pode ser o mesmo, pois quando este surge no episódio 3x19, Belly está com Walter no Zeppelin, além disso vemos que a caricatura dos personagens são completamente diferentes.


Logo se Belly fez os dispositivos mas não é o Homem-X, só pode ser alguém ligado à ele. Com esse pensamento, um dos capangas que enfrentam Astrid e Walter neste episódio me chamou bastante atenção pela semelhança que possui com o futuro assassino de Olivia. Será que este é o Homem-X?
E por falar em Bell, é possível notar no papel que Walter usa para conseguir suas digitais a assinatura do Dr. Simon, mas antes que vocês corram para os comentários para especular, o nome não é uma alusão ao Simon do futuro de 2036 (não pirem!), é apenas o nome falso usado por William Bell na 2ª temporada, onde é chamado por uma das enfermeiras como Dr. Simon Paris. Ainda é válido notar que a linha em que Bell assina seu nome é a 16 (número de Lost), veja:
Na primeira parte da review compartilhei com vocês minha teoria sobre a morte e cura de Olivia, alegando que a justificativa dada pelo roteiro seria seus poderes com o cortexiphan. Pois bem, "poderes" é justamente o glyphs code deste episódio, podendo este ser tanto uma simples referência ao drama de Olivia neste episódio com o descontrole dos seus poderes, como uma dica para o que poderá vir a acontecer, veja:
Você sabia que a chefe de administração do St. Claire's Mental Hospital é a filha do John Noble? Seu nome é Samantha Noble e o fato dela ser filha do ator foi alvo até mesmo de "piadinha" do roteiro neste episódio. Quando Walter vai se despedir dela ele diz: "you're much more attractive then your predecessor", no bom português, "você é muito mais atraente do que o seu pai".


Nesta semana, o observador nos fez o favor de se esconder atrás de uma ambulância e pode ser visto de um ângulo distante na parte de fora do shopping. Conselho: usar lupa.


Durante a cena em que Olivia leva a personagem da Rebbeca Maider para a viatura é possível notar ao fundo um símbolo comumente visto pela religião Católica e acompanhado da frase "Luz do mundo". Há quem diga que a figura, que parece ter sido colocada propositalmente em tela, é uma representação de Peter (o símbolo contém até mesmo um P sob a letra X, entre os símbolos delta e ômega) como sendo ele "a luz do mundo", o salvador, e até mesmo, a figura de cristo. A frase "luz do mundo" também pode ser uma referência ao reflexo solar criado por Jones neste episódio. Veja a imagem e faça a sua interpretação:


É válido também ressaltar que o início do episódio vem acompanhado de uma overdose de cor azul que compõe os cenários e roupas. O que se encaixa perfeitamente a um episódio que precede aquele em que nos despedimos por completo do lado B e, portanto, da cor vermelha:

Além de Rebecca Maider, o episódio também fez outras referências à "Lost" através dos números. A primeira delas foi o número 16 na linha de assinatura do Dr. Simon como citei acima e a segunda é o horário em que ocorreu o ataque biológico ao Shopping. Segundo Broyles, o incidente ocorreu às 15:23, sendo 15 e 23 dois dos números malditos de "Lost".

A música que toca na cena inicial do episódio se chama "Eyes Without a Face" por Billy Idol. Coincidentemente ou não a capa do CD do cantor possui um X semelhante àquele correspondente ao Homem-X. O que acham? Billy Idol é o Homem-X? : P



Até semana que vem, galera!

Canal de Séries, Por Gabriel Dias

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