5 de jan de 2013

[Review Dupla] 5x09/10 - "Black Blotter" e "Anomaly XB-6783746"



Nada além de lagartos.

Quando Nina Sharp descreve brilhantemente o ato dos observadores de inclinar a cabeça, um estímulo involuntário de suas fisiologias que altera o ângulo das ondas sonoras ao atingirem seus tímpanos permitindo-os melhores estímulos, ela os compara a lagartos. Lagartos cujos cérebros evoluíram, todavia que ainda são incapazes de formar laços, sonhar e contemplar a beleza. "Não muito diferente da sua espécie" diz a Windmark.

Sem dúvidas, Nina deixou o seu legado em Fringe, se provando essencial em diversos momentos da trama e  neste 5x10 figurando-se como mais um sacrifício da série realizado em prol da segurança da humanidade. É neste tom de despedida que "Anomaly XB-6783746" consegue ser um dos episódios mais melancólicos de toda a série, tendo em correlato uma carga emocional capaz de nos fazer sentir a perda de Nina, eu diria, ainda mais do que a de Etta.

A batalha homérica entre humanos e observadores (não consideremos observadores como seres humanos, uma vez que está claro quem são os animais) tem deixado marcas enquanto é adiada para a series finale dupla do dia 18/01. A maior e mais significativa delas, porém, não é a morte de Nina e sim a perda de Walter e sua sublime humanidade, retratada com maestria em "Black Blotter".

Com o auxílio de um pouco de ácido encontrado no porão do laboratório de Harward, Walter pôde nos conduzir através de uma viagem alucinógena e fantástica por suas lembranças, recordando momentos como a travessia para o universo alternativo vista no episódio 2x15 "Peter" e rebuscando personagens tais como Carla Warren, sua antiga assistente morta em um incêndio do laboratório.


O ponto alto do episódio, porém, foi a homenagem a série britânica Monty Python's Flying Circus (1969) inspirada pela animação de Terry Gilliam utilizada nos créditos de abertura do programa (veja aqui). E apesar da versão de Fringe trazer referências somente contempladas por aqueles que tinham conhecimento sobre a série criada pelo grupo de comediantes Monty Phyton (como o pé gigante e as "árvores braço"), a genial sequência não deixou de ser outra manifestação da batalha interna de Walter com seu antigo alter-ego, o qual é simbolicamente derrotado para que o mesmo pudesse encontrar o guarda-chuva negro, cujo nome seria a senha utilizada no encontro com o menino Michael.

"Black Blotter" também insinua a morte de Sam Weiss quando, no segundo ato do episódio, Olivia encontra a identidade do misterioso homem do boliche no bolso de um cadáver. Apesar disto, vejo a evidência mais como algo implantado do que como uma prova de que aquele que não devemos confiar (diz o anagrama de William Bell) de fato morreu. Por conseguinte, ainda aguardo o retorno de Sam Weiss antes do término da série.

E após encontrada a peça remanescente do plano de Walter, iniciamos "Anomaly XB-6783746" com uma tentativa fracassada de extrair informações do garoto Michael. E o comportamento de Walter diante do pequeno observador, que semelhante a Windmark o considera um experimento, uma anomalia, um subject, ressalta mais uma vez a perda exponencial do Walter humano para o antigo, arrogante e sem emoção Walter Bishop, o qual Peter sequer reconhece o olhar.

Interessante, porém, que no momento em que o trio retorna ao laboratório clandestino e encontra o corpo de Nina, é Walter aquele que chora. Uma vez que Walter enxerga aquele momento como o último suspiro de sua humanidade afligida. Nina era a única que poderia remover as partes do cérebro antes re-implantadas e como uma querida amiga, perdê-la o leva ao desespero.

E para encerrar este fantástico episódio, os roteiristas nos revelam a identidade de Donald, o qual nem em meus mais ínfimos sonhos eu poderia imaginar que fosse September. Os flashbacks gerados através do toque de Michael, acompanhados da trilha sonora de Guianchinno, são de arrepiar e trazem um desfecho excepcional ao expor September em sua forma humana.

"Donald is September".

Easter eggs:

5x09 "Black Blotter"                                                                                                                

O bolinho de limão, antes visto em "Brave New World Part 1", aparece desta vez em Black Blotter completamente queimado, um detalhe curioso que retrata o quão conflitante encontra-se Walter, incapaz de realizar um experimento tão simples como o tal. Entretanto, acredito que o bolinho possa ir além e ser um vislumbre de que talvez o futuro de Walter não seja dos melhores.


Outro detalhe curioso são os sinos, ou melhor, os bells vistos neste 5x09. O primeiro deles surge em cima da escrivaninha de Water, enquanto o segundo na antiga residência de Michael. E por termos sido por diversas vezes alertados do retorno de William Bell através de sinos, acredito que estas possam ser evidências de que o veremos antes do término da série.


Neste episódio, sob o efeito do ácido Walter escuta à música "Hurdy Gurdy Man" do cantor escocês Donovan, o qual de acordo com o compositor se refere a um homem capaz de reascender conhecimentos há um longo período de tempo esquecidos. É curioso que em "Black Blotter" este homem seja Walter, recuperando seus conhecimentos através do ácido.


Durante a fantástica homenagem a Monty Python pudemos ver diversos easter eggs como o sapo e o cavalo marinho, ambos glyphs codes da série. Vale também citar Toto, o cachorro de Dorothy em O Mágico de Oz e, claro, nossa querida Gene.


Ademais, temos outra referência clara a O Mágico de Oz quando Walter avista o local em que Peter aponta estar Donald e vê a Cidade de Esmeralda descrita nas obras de L. Frank Baum


O Glyphs code deste 5x09 soletra a palavra "Guilt" que traduz-se como "culpa", uma alusão nítida ao conflito interno de Walter e ao fardo que carrega pelos atos que cometeu figurados na parede do laboratório ao término do episódio.


Ainda a tempo, gostaria de ressaltar o cuidado dos roteiristas de Fringe com os detalhes. Um exemplo disto é o fato de Walter acertar o nome de Astrid neste episódio quando está sob o efeito do ácido, algo que aconteceu outrora em apenas dois momentos da série. Um deles é no episódio 3x04 "Do Shapeshifters Dream Of Electric Sheep" em que Astrid, ao perceber o acerto, diz que é curioso Walter tê-la chamado pelo nome corretamente. Ao ouvir isto, ele responde: "Deve ser o efeito do LSD".

5x10 "Anomaly XB-6783746"                                                                                                 

Um detalhe comum acrescentado aos episódios pela produção de Fringe é a icônica tulipa branca (referência ao episódio 2x18 "White Tulip") que aparece pichado na parede ao lado de Olivia, veja:


Outros easter egg visual é a semelhança entre os quadros na cena do laboratório de Harwad em "Inner Child" e na cena do laboratório clandestino em "Anomaly XB-6783746", veja que em ambos Olivia se dispõe ao lado esquerdo da tela a procura de uma ligação empata com o garoto, o qual sorri no 1x15 devido a empatia, enquanto não expressa qualquer emoção no 5x10.


O Glyphs Code deste episódio soletra a palavra "Sense" que traduz-se como "Sentir", "Sensação", "Sentido", como a empatia entre o garoto Michael e Olivia, assim como o sentido que Michael ativa no momento em que toca Nina e Walter para revelar quem era Donald.


Até semana que vem com a penúltima review de Fringe!

Canal de Séries, Por Gabriel Dias

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